quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Nostalgia

* para Coupland: "nostalgia is a weapon"

* para os árabes: "a alma viaja com a velocidade de um camelo"

* olhar para frente.

Procura-se Roteirista Urgentemente

Falando de longa-metragem: existe roteirista - criativo - de ficção no Brasil? Quantos? As escolas de cinema ensinam os futuros cienastas a fazerem filmes calados e pesados e panfletários?

Não vai existir um Domingos de Oliveira da nossa geração?

Por favor não me chamem mais para ir ao cinema ver um filme brasileiro...:

** ... ambientado na seca do Nordeste, com personagens sábios e que dão "uma lição de vida".

** ... que se passe nos tempos da ditadura. Por favor. Não. Ditadura não. Já deu. Virou a nossa Guerra do Vietnã, todo mundo quer fazer um filme sobre.

** ... adaptado de alguma grande obra literária que fomos obrigados a ler para o vestibular, ou que seja inspirado em algum livro do Nelson Rodigues. Cansei de ver cunhado comendo cunhada e sogra querendo dar pra genro. Também não quero saber de biografias de "grandes" brasileiros famosos e mortos.

Daí, você abre a mesma BRAVO que citei lá embaixo, e lê na página 116:

"1972. Brasil. Comédia romântica."--> Oba, você pensa, finalmente um filminho com roteiro urbano, jovem, despretensioso, um pouco de sexo drogas róque em rou?

Enredo: "Júlia é uma jovem jornalista que tenta escrever sobre música. Snoopy, um roqueiro, sonha com o sucesso da sua banda. os dois começam um romance que tem como pano de fundo a ditadura militar"

Esqueça que é autobiográfico. Esqueça que você já viu e ouviu isso em Almost Famous, com trilha sonora que prestava de verdade. Esqueça que é na década de 70, porque com medo da classificação e sem dinheiro para direitos autorais, o diretor escolheu fingir que na época ninguém usava drogas ou ouvia Led Zeppelin. Esqueça que falar sobre a ditadura 'eleva' a moral do cineasta.

Eu queria ver uma história que ainda ninguém contou. Ou, de um jeito que ninguém tenha contado.

Estou procurando roteiristas. Urbanos. Criativos. Que vivam no meu século, de preferência.

UPDATE: atenção queridos amantes do cinema nacional. 1- Eu não disse que não gosto de filme brasileiro. Só disse que cansei de ver sempre o mesmo tema nas telas. Isso é bem diferente. 2- Can-sei. Assim como cansei de - e não assisto nem por decreto - filme de guerra (seja do Vietnan ou da Bósnia), filme de escola americana, filme com a Meg Ryan, filme sobre Nazismo (precisa de mais um?), filme em sanatório (desde Um Estranho no Ninho a Bicho de 7 Cabeças), filme com atores globais e feito por globais, e filme sobre criança com doença sem cura. 3- Árido Movie, ambientado no Nordeste, por exemplo, é ótimo, criativo e engraçado. Apesar do final ridículo, eu adorei. 4- Sou a favor de importarmos roteiristas argentinos.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Sleeping States

Adoro festinhas nerds. Quero uma pra mim.
E adoro pessoas que fazem músicas como essa.



vídeo de "Rivers" do Sleeping States.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

I Am Somebody

Esse é ou não é o melhor diálogo de todos os tempos?

BRAVO!



Dica boa de um amigo indie-sambista-erudito.

Aproveitando toda essa onda de samba, pandeiro e volta às origens. A capa da Revista Bravo desse mês ficou linda.

Mas nem por isso. Em uma hora e meia de trânsito que peguei hoje, não parei de ler. Consegui um lugar lá no fundo do ônibus e me senti muito privilegiada por poder ler em paz enquanto ouvia música.

Mas nem por isso também. O maior motivo da dica - e da compra - foi o GUIA OSESP que veio com a revista. Didático, explica até quando a gente pode aplaudir e gritar BRAVOOO! com vontade!

Já tem toda a programação do ano e dá para escolher o tipo de assinatura, assento, etc.
A todos, o convite: juntem-se ao movimento "Indie Erudito - Por Uma *Cena Mais Classe".

ps: humm...e aquele buffet maravilhoso da entrada? Se liga: empanada com o famoso suco de maracujá com gengibre + um bom concerto para saber do que se trata um fagote e um oboé + uma boa cerveja + e Milo para acabar a noite. Bean 2007.

ps2: sei que não é engraçado, mas achei surreal a notícia de que os caras que tocam contrabaixo e contrafagote na OSESP foram presos em Miami fumando maconha. Imagina a cena.

Anti-Palha, Penélope e Sexo na Madrugada

Não tenho poder de síntese, mas vou tentar resumir tudo isso.

1- ANTI-PALHA: conforme prometido no post abaixo, foto do condicionador (era do shampoo, só agora que eu vi que tirei a foto errada. mas vale). Bem ali no quadrado inofensivo em vermelho. Não basta ser ANTI-QUEBRA, tem que ser ANTI-PALHA também. Anti-Frizz era muito mais sutil.

Usando o gancho cabelo, não posso me esquecer da Penélope Nova.


2- Penélope: Ela que, nesse final de semana apareceu com esse corte que lembra aquele menininho de desenho animado, o garotinho Dragonball. Ou algo do tipo. Ela finalmente abandonou o look Bon Jovi, ótimo, e desistiu de querer parecer a Simony, mas continua achando que temos que ver os peitos e as coxas dela a todo instante. Não dá. Ela agora ainda deu de perder a paciência com as crianças que ligam lá querendo saber se o namorado é gay "só porque usa roupa de mulher". (a foto tirei da TV mesmo)

E usando o gancho Penélope PontoP:

3- Sexo na Madrugada: tive o (des)prazer de ver um programa no GNT chamado "Inspetores do Sexo". É tão bizarro, tão surreal e tão...grosseiro, que tem que ser visto. Porque explicando, ninguém acredita.

Um casal de "doutores do sexo" analisa a performance sexual de um casal por uma semana. O "approach", como a coisa rola, como ela termina, etc. Comentários do tipo: "mas veja bem, ele não esperou que ela gozasse!". Pior que os comentários - e as cenas com tarja preta - são as "dicas práticas". Eles ensinaram à mulher a fazer sexo oral em sorvete, e ao homem, uma técnica para "prolongar o prazer". Algo de sexo tântrico para um cara que tem ejaculação precoce, gosta de boneca inflável, de correntes, e de mulheres muito gordas e bem mais velhas. Ou seja, é óbvio que os conselhos não surtiram efeito. Nas cenas de sexo oral, a imagem fica escura e vemos o casal somente através de luz fosforescente. Parece que estamos observando a dança do acasalamento de vagalumes.

Achei uma reportagem da Ilustrada dizendo que esse foi o programa do GNT mais visto no mês de Outubro! Beeege, como diz minha mãe. Há links YouTube para essa peculiar atração, mas vá procurar você mesmo.

E eu toda feliz com o Mothern, Saia Justa, Sem Controle...enquanto o povo se joga no SuperNanny Erótico.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Toda chapinha será castigada














Já foi difícil para o meu cabelo aceitar que ele não nasceu liso. Principalmente nos anos 80, quando não existia chapinha e eu tinha que me sentir o máximo saindo do salão parecendo uma das Panteras.

Quando eu tinha uns 12 anos, pedi para ter o cabelo da Maitê Proença na novela "Sassaricando" (1987). Esse aí da foto, que para mim era o ideal de beleza. No mesmo dia eu: 1- alisei o cabelo pela primeira vez na vida com uma química perigosa e fedorenta que parecia soda cáustica (ou era mesmo?), 2- REPIQUEI o cabelo em 200 camadas (na época, pediam para você jogar a cabeleira para frente, e passavam a tesoura com você com a cabeça pra baixo), e 3- fiz a primeira escova Pantera da minha vida, daquelas que deixavam os cachos em câmera lenta ao vento.

Além de ter ficado horroroso (para os padrões de hoje, neam), tive que aprender a fazer escova sozinha to-da vez que lavasse o cabelo. E é por isso que a chapinha é sim, uma grande invenção da humanidade e não se fala mais nisso.

Mas depois de uma ameaça de um abaixo-assinado por parte de um grupo adolescente, para que eu não fizesse a tal escova definitiva, resolvi deixar os cachos saírem - um pouco - do armário.

Eles estavam felizes e saltitantes...até ontem.

Sempre foi difícil explicar aos cachos que para a firrrma do shampoo eles são: "rebeldes", "indisciplinados", "difíceis de pentear", "armados e quebradiços", "secos e sem-vida" e ainda..."frágeis e danificados".

Esses são os eufemismos com os quais eles têm que lidar todas as vezes que vamos ao supermercado.

Eu estava usando um novo aí, que ajudava na chapinha. Além de "disciplinante", ele era "liss intense" ( !!! ) e pasmem: "anti-frizz". Frizz, como vocês devem saber, é "pixaim" em inglês. Mas para não ficar chato, eles acharam chique chamar assim.

E agora vem o baque: o anti-frizz não se chama anti-frizz mais. Ontem fui ao supermercado e tive que explicar ao meu cabelo que agora a gente usa um...ANTI-PALHA!!!

Isso. Era só o que faltava. Além de todos os xingamentos lá de cima, agora eu uso shampoo anti-palha. Tirei foto e vou postar aqui assim que der tempo.

E se alguém vier me encher o saco com aquele papo de "prefiro os seus cachos naturais" vai levar uma prancha de cerâmica na testa.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Atropelando Tudo!



E o curta-metragem "Manual para Atropelar Cachorro" continua fazendo bonito nos festivais por aí.

Deu na Ilustrada de ontem:

O curta paulista "Manual para Atropelar Cachorro", de Rafael Primo, foi aclamado o grande vencedor da Mostra Competitiva de Curtas e Médias da 13ª edição do Vitória Cine Vídeo.

A produção levou quatro prêmios:

** melhor direção
** melhor atriz (Bárbara Paz)
** melhor ator (Rafael Primo)
** melhor montagem (Helena Maura)

O resultado saiu na noite de sábado (18), no teatro Glória, em Vitória.
Parabéns mais uma vez, meninos!

Na foto: Duda, Rafa Primo, Paulinha Sista, Daniel Gaggini e Bárbara Paz.

Leia mais:

** "Manual para..." ganha 3 Kikitos em Gramado
** "Manual para..." ganha mais dois prêmios no encerramento do Festival de Curtas
** Blog do Daniel Galera, autor do conto que deu origem ao roteiro.

domingo, 19 de novembro de 2006

Músicas de um Final de Semana Improdutivo

** Claro que eu não consegui fazer metade das coisas que eu planejei nesse feriado. Mas consegui: comprar 5 DVDs que ainda não assisti, ir ao cinema ver "O Céu de Suely", terminar um livro que estava adiando porque não queria que ele acabasse, e consegui ver os amigos por mais que 15 minutos.

** Um bombardeio de links YouTube recebidos:
-->A menininha meiga mandando o Sílvio Santos tomar no cu
-->o João Gordo morrendo de medo do Dado Sawyer Dolabella
-->o Bozo gritando "misericórida irmãos" e separando o Sérgio Mallandro do Gordo
-->a Orca assassina que pula em cima de um caiaque indefeso
-->e até um ataque horroroso de tubarão que eu NÃO precisava ter visto.

** Fuçando, naquelas horas absurdas que a gente consegue gastar nesse YouTube, achei três músicas que eu queria há tempos:

** Mais uma perseguição Sueca, daquelas que valem a pena. A música que eu mais gosto do Love Is All: "Make Out, Fall Out, Make Up".



** Encomendei ontem meu disquinho especial do DeVotchKa. Enquanto ele não chega, o clipe da música "Till The End of Time", com cenas do filme "Little Miss Sunshine":



ps: já falei do filme aqui, e já coloquei outro vídeo do DeVotchKa aqui.

** E a música que nunca cansa. Ela tocou na pista sexta-feira, e fiquei com ela na cabeça até agora. AIR, "Sexy Boy":

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Anedotas Suecas

Continuando o
papo sueco abaixo, link para a história musical da Suécia do Wikipedia, que está bonitinho.

Eles até me fizeram lembrar que, além do Abba, dos vikings e dos suícidios juvenis, a Suécia trouxe o Roxette ao mundo.

Ângelo, o amigo admirador de suecas, investe na teoria de que se não estão fazendo bandas, os suecos estão se matando. Exagero? Nada.
A *Cena sueca bomba pela falta do que fazer, aparentemente.

Diz o Ângelo:

"Mas deve ter um pouco de verdade nisso. Fui pra lá no verão, passei frio e não arrumei nada muito interessante pra fazer. Se soubesse tocar alguma coisa, talvez fosse famoso hoje. E conheci uma adolescente descolada que foi se apresentar COM OS PAIS NUM CORAL no centro de Estocolmo e achou o máximo!! Repito: adolescente descolada, dessas que na época escutavam Belle& Sebastian.

Não tenho fotos, porque me roubaram tudo. Mas se na capital é assim, imagina no interior. Um outro adolescente, esse da Lapônia, disse que no inverno ou saía pra andar de "moto de neve" ou ficava em casa sem fazer absolutamente nada. E no verão, ele ia nadar pelado no lago com os amigos (tipo 15 graus). Que beleza!"
O ócio gelado e criativo da Suécia. Tá tudo explicado.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Malditos Suecos!

O que botaram na água da Suécia? Que passa?

Por que todo dia surge mais uma banda fofa de lá?

A Ilustrada de hoje surpreendeu ao dar capa para os obscuros do The Knife. Para ler a matéria acima tem que ser assinante eu acho, mas o texto do Dago começa assim:

"Os novos vikings:
Artistas de diferentes estilos, mas com alta sensibilidade, fazem da Suécia um fervilhante pólo exportador de música pop contemporânea"

Vocês já viram o vídeo "When I found The Knife"? É esse abaixo. Climão Donnie Darko, narração robótica e coelho doidão. Tenso. Tem continuação, é só clicar aqui para saber o que aconteceu 25 anos depois. Alguma explicação para essa história bizarra? E aqueles macacos não dão medo?



E o StudioSP (ooooba!) recebe uma parte dessa boa safra sueca. Ainda não é "Peter, Bjorn & John, mas quase.

No dia 13 de dezembro, rola o mini-festival-sueco, anotem aí!

** Abertura de Erlend Oye (esse é norueguês, não confudam. Ele é o João Gilberto da Noruega, do duo Kings Of Convenience).

** Daí vem o nerd-fofo do Jens Lekman. Vocês já entraram no MySpace dele? Tem uma entrevista como 'primeira música'. Criativo. E dá para saber mais sobre o que ele vem "sonhando", por exemplo, já que a Suécia é um lugar tão sem graça. Palavras dele.

** E então, tchanam, para dar uma sacudida: Hell On Wheels. Adoro.

** Dia 14, no SESC Vila Mariana: a maravilhosa "El Perro Del Mar". A melhor surpresa de todos aí no meio. O Bruno Orsini do IndieRock fez um texto legal sobre ela esses dias, com entrevista e tudo, vai lá.

** Para ver as outras bandas citadas na matéria, só no link mesmo.

** E para completar, conheci mais uma maldita sueca essa semana. Que passa? Que passa? Britta Persson:



...
ps: Comentário do Ângelo, amigo e grande admirador de suecas em geral: "Na Suécia não tem nada pra fazer no verão, muito menos no inverno. Os que decidem não se matar formam bandas."

Joanna Newsom



A dica é do Lúcio, que ficou martelando no "vai atrás da Joanna Newsom agoooora". Fui.

Não durmam antes da música acabar, porque ela é bonita de verdade. Joanna é da California, tem só 24 anos e toca harpa e piano. PsychFolk com harpa, era só o que faltava.

Baixei o álbum Ys, que saiu esse mês. Ele é estranho e sensível, às vezes irritante. Ela tem voz de criança, e parece doce demais. Senti uma vontade de agarrar a menina pelos ombros e chacoalhar. Mas depois que você entra na viagem da harpa - ou é hipnotizado, não sei - essa vontade passa. E ela tem lá seu crédito por tocar nas rodinhas 'bem loucas' de San Francisco, na companhia de Devendra e Vetiver. Nada mau.

Essa música é fofa, mas o clipe é mais. Chama "Sprout and the Bean" (Bean!):



** Com tempo, fucem bem o site do selo Drag City. As bandas são ótimas.

** Há uma semana, visitei a página dela no myspace e ela não tinha UM amigo sequer. Visitas: 15. Ela é capa da revista WIRE desse mês. Corri no myspace para ver se a turma havia aumentado, mas a página sumiu. Humm.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

De Dez mil em Dez mil...

A boa notícia vem do nosso chefe, o Justus do Sampaist:

"Fala pessoal... hoje batemos nosso recorde total de audiência de todos os tempos. Graças ao rebolado de Fergie filmado pelo Lucas, atingimos até as 23h15 de hoje a marca de 10 mil unique visitors. Caraleo!"
Caraleo mesmo.

Nada que um bom popozão não resolva. Parabéns ao Lucas pela sacada genial de filmar o humps da moça.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

New Order @ Via Funchal

Preguiça de escrever mais sobre isso. Acho que foi - quase - tudo para o Sampaist.

Dá para ler o textinho aqui.

Eu não mencionei lá uma coisa. Em uma das músicas, talvez Ceremony, eu fiquei entre três casais que se atracavam. Duranto TODA a música. Até aí tudo bem. Mas um deles, era um mala de um nerd que TODA VEZ que o Bernard Sumner gritava "Obrigado São Paulo!", ele respondia: "São Paulo que nada, obrigado Corinthians!".

PIOR: a coitada da namorada, RIU TODAS AS VEZES em que ele soltou essa piada sem graça. Nem os amigos fingiam ouvir mais. E ele insistia e cutucava um outro cara (aliás, cutucar é muito chato): "Né não, Fulano, São Paulo num tá com nada". O Fulano envergonhado, fingia não ouvir, e a namorada? RIA. MUITO.

Meninas, vocês não precisam fazer isso.

domingo, 12 de novembro de 2006

Sente a maresia!

Não costumo acordar tarde, morro de preguiça de dormir. Mas hoje resolvi fingir que dormia até certas horas, para não pertubar quem tem sono.

O que foi bom, porque tive uma surpresa ótima depois do almoço-café-da-manhã:

O programa de TV da Igreja "Bola De Neve". Ou, "Bola de Neve Church", como eles dizem.

Vocês sabem do que eu estou falando, néam. Dá para se ter uma idéia entrando no site acima. Você dá de cara com uma onda, uma musiquinha reggae e uma mensagem: "In Jesus We Trust".

É uma igreja para surfistas, basicamente.

Sempre passava em frente, tem uma ali em Perdizes. Eu achava que era a redação da TRIP no começo, ou um clube de reggae para fãs de Armandinho. Levei um tempão para perceber que as pessoas choravam com a mão para cima lá dentro.

Nesse programa de TV - imperdível -, a locação parecia ser um resort qualquer em Maresias ou Paúba. Litoral norte, é certo. Praia, cabana, vento e sol. Meninas loiras de cabelos lisos e compridos, tipo universitárias da PUC ou Mackenzie, com brincos de pena ou dente de elefante.

Os meninos de bermuda e camisetas com pranchas, boné - claro - e correntinha hippie-chique.

Imaginem uma festa da OSKLEN. Tipo isso.

Uma banda de velhos cabeludos cantava algo em inglês que não dava para ouvir direito. E a galera, no maior clima de paquera que se já viu em uma igreja, fazia aquela dancinha típica do reggae, como se estivesse matando barata, sabe? Levanta perninha, joga para um lado, pula do outro?

Braços para o alto, olhos fechados ou fingindo choro, abraços calientes, gritos de Aleluia.

Muita harmonia, iluminando meu domingão chuvoso e preguiçoso.

Juro que deu vontade de ir lá um dia, e ver 'qual é' a das pessoas. Tirando o discurso "os judeus não sabem o que dizem", de uma menina loira queimada de sol, a comunidade parecia bem de bem com a vida. Alto astral, bichô.

E se toda aquele papo filantrópico do site for verdade, parabéns aos Bola de Neve. Porque de papo as igrejas já estão cheias.

Eu ainda tive a paciência de ler váááários depoimentos lá no site, e esse aqui me intrigou:

"Um dia desses, eu estava sozinho em meu apartamento e comecei a falar com Deus. Quanto mais eu sentia a Presença dEle, mais eu orava, e a minha maneira de orar foi ficando cada vez menos tradicional. Até que, no ápice da minha empolgação, enquanto eu gritava, saltava, mexia os braços e todo o corpo, percebi que a porta da varanda estava aberta. Imaginei o que os vizinhos da frente estariam pensando sobre mim."



Eu também imagino.
ps: para quem quiser conhecer melhor, além do site, há vários vídeos no YouTube.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Coisas Que Só Acontecem Comigo - parte II

Ônibus TRANSPEN "São Paulo - Itararé", 300km de viagem em 6 horas.


Viajar de ônibus no feriado já é coragem sem tamanho. Para o interior, então, nem se fala.

Você pegar um ônibus com um velho que insiste em cortar as unhas ao seu lado, não tem preço.

CORTAR UNHA EM ÔNIBUS. Com tesoura de cortar papel. Por favor. É lasca voando para todos os lados. É nojento, é uma falta de noção absurda, é....nem tenho palavras.

Após a foto, fui salva pela poltrona 13 do outro lado do corredor, vazia e com vista para a estrada seca. Eu sabia que deveria ter viajado na 27, que é minha poltrona da sorte.

Eu tirei a foto porque mandei um SMS para minha irmã avisando que aquilo estava acontecendo e ela não acreditou em mim. E eu sei bem tirar foto fingindo que há algo de errado com a máquina.

Viajar pela TRANSPEN é colecionar histórias. Fazemos esse trajeto desde 1989. Nesses 17 anos, já aconteceu de tudo lá dentro.

Fizemos até parte de uma previsão da Mãe Dinah, que previu no programa do Gugu que o nosso ônibus iria capotar na estrada. Apesar dos amigos da faculdade terem me alertado da previsão da velha em rede nacional, eu não dei bola e fui. Capotamos em pleno feriado de Páscoa na Castelo Branco. Tivemos que pegar carona no acostamento para fugir das câmeras da Rede Record que chegaram antes das ambulâncias. Você já tentou sair pela janela de emergência de um ônibus? Então fique em forma, porque se você pesar mais que 80 kilos você morre queimado dentro dele.

Eu tenho pavor da 'parada' no posto Borssato. Ele fica exatamente no meio do caminho. Quando o motorista berra com aquele sotaque que conheço bem: "Parada de quEnze mEnuto", tenho vontade de dormir a acordar só na rodoviária.

Porque sei que, depois do Borssato, a viagem nunca mais é a mesma. As pessoas conseguem, eu juro, comprar espeto de frango lá dentro. E deixam para comer no ônibus, claro. Tem a coxa de tender (aham) frita, que vem amarrada em papel toalha. E o nosso tradicional encapotado. As crianças entram com a boca laranja de Doritos e sempre tem uma que vomita ao meu lado. O ônibus, graças ao maravilhoso mundo do ar condicionado, não tem janelas "que possam ser abertas". E você tem o prazer de cheirar gordura por mais 150km.

Eu sempro chego em casa cheirando quermesse de junho.

Os filmes da viagem são 'espetaculares'. Em uma das viagens, peguei um do Van Damme, que ele cheira cocaína e transa com duas mulheres ao mesmo tempo. Várias crianças no ônibus, senhoras e tarados em geral. Eles sempre inventam em colocar filmes de ação, e ainda não entendi porque não ficam com os filmes estilo Meg Ryan. Mesmo que tenha cenas de sexo, não vamos correr o risco de ver um anão francês abrindo espacato e mandando ver nas pequenas indefesas.

Agora que tem DVD, ficou engraçado. Eles sempre esquecem de selecionar a legenda, ou se confudem com o áudio, então não é difícil pegar 2 horas de estrada ouvindo um filme em francês. Porque é claro que ninguém vai até o motorista para reclamar.

Um amigo já teve o ônibus seqüestrado um pouco antes de chegar na cidade, uma amiga viajou com um ex-presidiário que pedia que ela abrisse a blusa... Eu juro que um dia coleciono todas elas e faço outro blog.

Um policial metaleiro viajou comigo uma vez e não me deixou dormir um segundo sequer. Ele colocou um dos fones do walkman dele no meu ouvido, mesmo contra minha vontade, e me fez ouvir Metallica em versão Apocalyptica por horas.

Mas tudo menos velho cortando unha do meu lado!
Eu me lembrei de um texto do JRDuran para a Revista TRIP, no qual ele dizia que um dia foi pegar a pizza no restaurante, ao invés de pedir o delivery, como de costume. Chegando lá, ele viu um dos caras cortando a unha bem ao lado do pizzaiolo. Ele saiu do restaurante, jogou a pizza na primeira lata de lixo que encontrou, e nunca mais conseguiu fazer um pedido de entrega. Já imaginou quanta caspa e resto de cutícula a gente já engoliu nessa brincadeira?